Bom ano queridos leitores!
Pensei escrever aquelas típicas piadas do género "Sinto que já não vos escrevo desde o ano passado", mas todos sabemos que essas piadas têm tudo menos graça por isso saltarei directamente para o que interessa, o Natal.
Esta foi a primeira (e espero última) vez que celebrei o Christmas sem a companhia dos meus familiares. Mais um desafio que tive de enfrentar neste ano, mas nada catastrófico. Todavia, o Natal americano é muito mais do que um ou dois dias em que um tipo chamado Jesus nasce, é como um casamento cigano que dura cerca de 60 dias e noites inclusive. Começa a tomar forma em meados de Novembro com as preparações do Thanks Giving e debuta oficialmente dia 1 de Dezembro. A partir desse dia, é obrigatório por lei do Indiana usar pelo menos uma peça de roupa (interior ou não) que seja da temática natalícia, ouvir uma média de 33 músicas sobre o Rodolfo por dia e ver 27 filmes sobre a existência do gordo da Coca-Cola (Há quem o chame de Pai Natal). Acreditem ou não um vizinho meu com o qual convivi por algumas vezes foi preso por usar uma camisola com um pinheiro manso desenhado. Ora todos sabemos que Natal é época de Pinheiro Bravo o que prova que ele estava mesmo a querer ir para uma cela. Sei no que é que estão a pensar.. "Que estupidez, quem é que convive com os vizinhos?" Pois é, eu também nunca tinha pensado que alguém o fizesse até chegar aos US.
Algumas pessoas optam ainda por transformar o exterior das casas em pirilampos gigantes e compram um mínimo de 40 presentes para cada membro da família, gato incluído. O espírito natalício é muito forte e presente nas acções das pessoas, cristãs ou não. Foi um Natal diferente, mais consumista, mais virado para o Pai Natal do que para Jesus, mas sempre com o espírito de solidariedade presente.
Dois dias a seguir ao Natal, ainda com metade dos presentes por abrir ("prendas" para o pessoal do norte) fui ao casamento da directora do AFS da minha zona. Estava bastante entusiasmado para tal acontecimento visto que seria o meu primeiro american wedding. Foi um casamento civil por isso não teve missa nem nada disso, mas esperava-se um copo d'água á maneira! A verdade é que a expressão "copo d'água" não se podia adequar melhor a esta festa pois não havia alcool. Apenas água e uma versão ranhosa de champomix. Por outras palavras, este casamento tinha tudo menos aquilo que atrai 90% dos convidados: bar aberto e bebedeira gratuita. Mas pronto, lá bebi o champomix de uva e comi os cupcakes todos. A seguir estava na hora de abrir a pista de dança, a minha parte preferida em que ia poder espalhar uns bons passos de kuduro e dançar com as senhoras de idade avançada presentes. Cheguei á pista de dança, já a fazer alongamentos com a pica toda, quando ouço a voz de uma senhora no microfone a dizer que nos ia ensinar uma coreografia. "Tudo bem," pensei eu "se sei fazer a dança do quadrado também devo saber fazer isto." Mas afinal era tudo menos a dança do quadrado, eram 20 coreografias diferentes que misturavam dança country com sevilhanas e um bocado do aplauso do Poney para quem faz campos de férias. Tudo isto com pares aleatórios ao som de uma banda "live". Esta brincadeira durou o casamento todo. Não houve dança livre, nem um noivo bebado com a gravata na cabeça. Ás 10h da noite acabou o casamento. Foi mais curto que as festas de anos da Decathlon. Ah, esqueci-me de mencionar um pequeno pormenor: os noivos tinham os dois 60 anos. Mas o amor não escolhe idades, não é?
Mais uns dias passaram e foi altura da passagem de ano. Para qualquer bom português, a passagem de ano é uma enorme celebração, onde todos, dos 8 aos 80 ficam acordados até á meia noite e saltam com o pé direito para o chão enquanto comem 12 passas (odeio passas, deviamos acabar com essa parte da tradição). Para não falar do número de comas alcoólicos por parte de jovens com idades inferiores a 16 anos. No entanto aqui a história é diferente. Para além de não haver alcool para menores de 21 anos, apenas os mais fortes ficam acordados até á meia noite. Escusado será dizer que eu fiquei acordado até ás 3h da manhã, batendo assim o meu recorde que se encontrava nas 11h23 da noite. Para celebrar a New Year's Eve fui para casa de uns amigos que estavam a dar uma festa. Não tinha muitas mais opções, por isso aceitei logo o convite e nem fiz perguntas. No entanto era uma festa de família/amigos, o que significa que não há discriminação e desde o avô ao amigo mais delinquente todos são convidados e todos convivem em conjunto. Como programa da noite jogámos poker, ganhei 30 dollars, vimos um jogo de basketball e vimos a a Ball Drop em Times Square á meia noite. A noite já não era criança nenhuma e por isso passado 20 minutos do início de 2014 já estava em casa. Recusando-me a ir para a cama á 1h da manhã antes dos portugueses que ainda celebravam em Portugal apesar da diferença horária de 5h fiz skype com o Kiko Ribeiro Ferreira e jogámos cluedo via video-chamada. Algo inédito. It was a hell of a New Year's Eve.
(Juro que estou quase a acabar)
Ontem, 2a feira, era dia de regresso ás aulas. Mas não foi. Nem hoje foi. Nem amanhã será. Porquê? porque a temperatura exterior é negativa em fahrenheit. Ontem por exemplo estavam 25 graus celsius negativos. Até custa respirar no outside, mas somos por lei (desta vez juro que é mesmo por lei) obrigados a permanecer no interior das nossas casas. Conclusão: Não saio de casa há 4 dias. A última vez que saí de casa foi para ir andar de trenó. Armei-me em campeão e decidi fingir que sabia fazer snowboard e descer a colina em pé. Claro que me espetei, fui de pescoço ao chão e fiquei o resto da noite tonto sem conseguir engolir comida. Moral da história: Se tivesse trazido Papa Cerelac para cá não tinha morrido á fome nessa noite. Mas é mentira que não saio de casa há quatro dias, de vez em quando tenho de ir limpar a neve da driveway. É o meu pequeno sacrifício diário.. Sacrifício que é para não dizer suicídio. Pensei muito em como vos dizer o quanto frio está, e a melhor maneira que encontrei foi a seguinte: Está tanto frio que as minhas pequenas sobrancelhas congelaram, e os meus macacos do nariz mais profundos morrem de hipotermia, literalmente. Agora que já falei de macacos do nariz numa crónica, está na hora de acabar com isto.
Um óptimo ano para todos! Até já!
PS: Para todos aqueles que acham que estou a exagerar quanto ás temperaturas, leiam isto:
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3618468&seccao=EUA%20e%20Am%E9ricas
Ronaldo In Plymouth
Chavalo curioso a viver um ano da sua vida do outro lado do mundo.
Tuesday, January 7, 2014
Tuesday, December 24, 2013
Thanks Giving- Dezembro
Tenho-me esquecido completamente de você(s), caríssimo(s) leitor(es) (gosto sempre de pensar que alguém para além da minha mãe lê isto). Mas como presente de Natal, aqui está mais uma crónica.
Viajemos no tempo então. No mês passado celebrei o meu primeiro ThanksGiving. Estava bastante entusiasmado para esta estreia, capítulo essencial do sonho americano. Os americanos muito me falaram desta festa, de como os peregrinos partilharam uma refeição com os nativos, e até me perguntaram se os portugueses celebram o Dia de Acção de Graças... Eu sei, que pergunta tão óbvia, obviamente que sim! Também me avisaram múltiplas vezes que iria comer até cair para o lado, mas cada vez que me diziam isso eu só pensava "Oh meu amigo, isso já faço eu a todas as refeições desde que cheguei aos US!"
No tão esperado Dia Nacional do Peru fui com a minha família almoçar a casa dos avós adoptivos do lado materno. Comi, comi, vi fimes de natal, e comi mais um bocado.. Passado 2 horas de ter acabado de almoçar, ainda com a digestão a meio, já estava na hora de seguir caminho para o segundo banquete do dia, com a família biológica da minha mãe. (Para quem não sabe, a minha mãe é 100% mexicana, e por isso toda a sua família também.) Fomos os primeiros a chegar ao banquete, o que em Portugal é óptimo porque significa que não temos de falar aos que chegam, mas são os que chegam que têm de nos falar. Mas aqui como não conhecia ninguém, não foi tão positivo. Á medida que o tempo ia passando, manadas de hispânicos iam entrando pela sala adentro, sem fazerem puto ideia de quem é que eu era. Mas foram porreiros e meteram conversa, numa mistura de inglês e espanhol, também conhecido como "spanglish." Como tinha de ser, comi mais e mais, e mais. Surpreendentemente, consegui sair de lá pelo meu próprio pé. Foi o fim do meu primeiro e não último Thanks Giving.
No que toca o campo escolar, está tudo óptimo. Estou a ter disciplinas bastante interessantes como Psicologia, Historia Mundial, Historia dos USA e Culinária (fui eleito aluno "chef" do mês nesta aula, mas nem omeletes sei fazer). Acabou a época do futebol americano e começaram os jogos de basquetebol. Cada semana que jogamos em casa temos um tema, que torna cada jogo num carnaval autentico. No ultimo, o tema era nerd, e eu levei o tema tão a sério, que parecia um débil mental perdido nas bancadas. É divertidíssimo.
E hoje é véspera de Natal, o culminar do advento mas, muito mais importante por aqui, o fim de um mês de rádio a dar Jingle Bells a cad 10 minutos. O espírito natalício aqui é vivido de outra maneira. Decorei a casa com luzes no "outside", usei camisolas de Natal com renas e árvores de natal, ouvi e vi milhares de músicas e filmes de Natal, e até fui a uma feira que era a representação de Belém aquando do nascimento de Jesus. Fui uma preparação diferente de qualquer outra, muito mais consumista e menos espiritual. Adorava misturar o estilo católico português com o espírito festivo americano.
Mas quando digo que não tive advento, também não é verdade. Sabem aqueles sacrifícios que algumas pessoas decidem fazer nestas 4 semanas? Como não comer chocolates ou abstinência de redes sociais? Ou então, para os mais radicais, não comer durante o dia, género Ramadão? Pois bem.. Tenho a dizer que o meu foi muito melhor que todos esses. Por compaixão a todos aqueles que não têm mãos, decidi congelar as minhas mãos cada vez que ia á rua. Não as sentir durante horas sem fim, só por compaixão pelos mais debilitados. Pronto, é mentira.. Não fiz de propósito, é só porque estão graus negativos todos os dias e já tive de colar os dedos ás mãos com cola UHU umas cinco vezes. Sou mesmo solidário para com a UHU.
Tá um frio do catano. Já não tenho temperaturas positivas há semanas, e até já apanhei -20˙C, só para terem noção do Polo Norte onde vim parar. Desci montes de trenó, atirei bolas de neve.. Espetei-me de boca na neve. Sem dúvida a melhor parte, melhor ainda quando sentes a neve a descer-te pelo rabiosque abaixo não é?
E com esta imagem de mim mergulhando na neve, emergindo com neve na minha roupa interior me despeço desejando um Feliz Natal a quem ler isto antes ou durante o dia de Natal e pedindo também que revejam as vossas prioridades, pois ler blogs no dia de Natal não é bom sinal. Para o resto, um óptimo ano de 2014, um ano em que finalmente nos encontraremos de novo!
Té looogo!
(Pela primeira vez desde que criei este blog que tive dificuldade em escrever em português, porque penso em inglês e as palavras começam a ser escassas. Perdoem portanto a falta de qualidade e piada)
Viajemos no tempo então. No mês passado celebrei o meu primeiro ThanksGiving. Estava bastante entusiasmado para esta estreia, capítulo essencial do sonho americano. Os americanos muito me falaram desta festa, de como os peregrinos partilharam uma refeição com os nativos, e até me perguntaram se os portugueses celebram o Dia de Acção de Graças... Eu sei, que pergunta tão óbvia, obviamente que sim! Também me avisaram múltiplas vezes que iria comer até cair para o lado, mas cada vez que me diziam isso eu só pensava "Oh meu amigo, isso já faço eu a todas as refeições desde que cheguei aos US!"
No tão esperado Dia Nacional do Peru fui com a minha família almoçar a casa dos avós adoptivos do lado materno. Comi, comi, vi fimes de natal, e comi mais um bocado.. Passado 2 horas de ter acabado de almoçar, ainda com a digestão a meio, já estava na hora de seguir caminho para o segundo banquete do dia, com a família biológica da minha mãe. (Para quem não sabe, a minha mãe é 100% mexicana, e por isso toda a sua família também.) Fomos os primeiros a chegar ao banquete, o que em Portugal é óptimo porque significa que não temos de falar aos que chegam, mas são os que chegam que têm de nos falar. Mas aqui como não conhecia ninguém, não foi tão positivo. Á medida que o tempo ia passando, manadas de hispânicos iam entrando pela sala adentro, sem fazerem puto ideia de quem é que eu era. Mas foram porreiros e meteram conversa, numa mistura de inglês e espanhol, também conhecido como "spanglish." Como tinha de ser, comi mais e mais, e mais. Surpreendentemente, consegui sair de lá pelo meu próprio pé. Foi o fim do meu primeiro e não último Thanks Giving.
No que toca o campo escolar, está tudo óptimo. Estou a ter disciplinas bastante interessantes como Psicologia, Historia Mundial, Historia dos USA e Culinária (fui eleito aluno "chef" do mês nesta aula, mas nem omeletes sei fazer). Acabou a época do futebol americano e começaram os jogos de basquetebol. Cada semana que jogamos em casa temos um tema, que torna cada jogo num carnaval autentico. No ultimo, o tema era nerd, e eu levei o tema tão a sério, que parecia um débil mental perdido nas bancadas. É divertidíssimo.
E hoje é véspera de Natal, o culminar do advento mas, muito mais importante por aqui, o fim de um mês de rádio a dar Jingle Bells a cad 10 minutos. O espírito natalício aqui é vivido de outra maneira. Decorei a casa com luzes no "outside", usei camisolas de Natal com renas e árvores de natal, ouvi e vi milhares de músicas e filmes de Natal, e até fui a uma feira que era a representação de Belém aquando do nascimento de Jesus. Fui uma preparação diferente de qualquer outra, muito mais consumista e menos espiritual. Adorava misturar o estilo católico português com o espírito festivo americano.
Mas quando digo que não tive advento, também não é verdade. Sabem aqueles sacrifícios que algumas pessoas decidem fazer nestas 4 semanas? Como não comer chocolates ou abstinência de redes sociais? Ou então, para os mais radicais, não comer durante o dia, género Ramadão? Pois bem.. Tenho a dizer que o meu foi muito melhor que todos esses. Por compaixão a todos aqueles que não têm mãos, decidi congelar as minhas mãos cada vez que ia á rua. Não as sentir durante horas sem fim, só por compaixão pelos mais debilitados. Pronto, é mentira.. Não fiz de propósito, é só porque estão graus negativos todos os dias e já tive de colar os dedos ás mãos com cola UHU umas cinco vezes. Sou mesmo solidário para com a UHU.
Tá um frio do catano. Já não tenho temperaturas positivas há semanas, e até já apanhei -20˙C, só para terem noção do Polo Norte onde vim parar. Desci montes de trenó, atirei bolas de neve.. Espetei-me de boca na neve. Sem dúvida a melhor parte, melhor ainda quando sentes a neve a descer-te pelo rabiosque abaixo não é?
E com esta imagem de mim mergulhando na neve, emergindo com neve na minha roupa interior me despeço desejando um Feliz Natal a quem ler isto antes ou durante o dia de Natal e pedindo também que revejam as vossas prioridades, pois ler blogs no dia de Natal não é bom sinal. Para o resto, um óptimo ano de 2014, um ano em que finalmente nos encontraremos de novo!
Té looogo!
(Pela primeira vez desde que criei este blog que tive dificuldade em escrever em português, porque penso em inglês e as palavras começam a ser escassas. Perdoem portanto a falta de qualidade e piada)
Jorge Felizberto, paciente #3784 do Júlio de Matos
Monday, November 18, 2013
Before Prom Comes SweetHeart
Caríssimos, perdoem a demora por mais uma crónica, mas tenho a desculpa de estar nos Estados Unidos e aqui não há internet..
Bem, vamos por partes cronológicas que é para ver se não nos perdemos. Depois de ir a Chicago, fui ao Michigan passar um fim-de-semana de 3 dias. O Michigan é o estado a norte do Indiana, e em 3h de viagem estávamos no hotel que tínhamos reservado. Eu não sabia qual era o propósito da viagem, mas mal cheguei ao hotel percebi: fazer shopping. O hotel era no meio de um outlet, numa terrinha onde não havia mais nada a fazer do que uma maratona de compras. Por mim tudo bem, até porque aqui é tudo mais barato.. Como bom europeu que sou, senti-me obrigado a comprar calças levi's strauss. É regra universal e por isso aguei 20$ por um par. Ora bem.. umas calças da Salsa em Portugal custam no mínimo 60€ (equivalente a 80$).. Portanto, com o dinheiro que se gasta em Portugal por um par, aqui podia comprar QUATRO pares! Isto dá que pensar, até ao momento em que percebo que estão a gozar com a nossa cara.
Mas lá consegui superar este trauma e tive um fim-de-semana bastante produtivo em termos de consumo. Mas a melhor parte desta trip estava para chegar: como nos USA 3h de viagem não são nada, perguntei á minha mãe se podíamos ir a uma cidade do outro lado do Michigan, onde tive a oportunidade de jantar ás 4h da tarde com a Inês (Simões de) Almeida. Se tivesse de descrever este reencontro numa palavra, utilizaria definitivamente "estranho". Foi como se a Inês tivesse atravessado uma barreira que separa a minha "vida portuguesa" da minha vida americana, uma barreira que nunca ninguém tinha atravessado. Não dá muito bem para explicar a quem nunca passou por isto, mas espero que tenham uma ideia do que quero dizer. Mas a verdade é que soube optimamente falar em português e partilhar tudo o que tinha vivido com alguém que estivesse a viver o mesmo que eu. Não nos calámos durante horas e, aquando da despedida, espetei-lhe um beijinho na cara, algo que já não fazia há mais de dois meses. #PortugueseProblems
Outro episódio que quero relatar, é o "Veteran's Day". Este dia é um dia celebrado em honra de todos os veteranos de guerra americanos, com o agradecimento de terem lutado pela nossa liberdade visto que "Freedom is not free". Estes veteranos são na maioria veteranos da guerra do Vietname com alguns sobreviventes da 2ª Guerra Mundial. E como é que os jovens agradecem aos velhotes, perguntam vocês, leitores curiosos e interessados. Pois bem, na 6ª feira antes do feriado, a escola inteira, mais de 1100 alunos, reuniram-se no ginásio da escola para ouvir o discurso de um veterano, cantar o hino, de pé obviamente, e cantar mais umas 20 músicas, dedicadas ás diferentes vertentes militares, tais como os Marines, AirForce, etc.. Todo este concerto dado pelo Coro da Escola durou cerca de 15 min, durante os quais permanecemos em pé, de mão no peito, aplaudindo os veteranos ali presentes. Achei interessante por ser um acontecimento que nunca aconteceria em Portugal, por uma simples razão: Portugal não entra em guerras. Foi por isso diferente.
E pronto, agora vamos á cereja no topo do bolo.. A verdade é que nunca comi bolo com cereja, mas é indiferente. No Sábado tive o primeiro baile do ano, chamado SweetHeart Dance. É um aquecimento para o Prom basicamente. Mas aqui leva-se tudo a sério, por isso nada de menosprezar este baile, cheio de regras e tradições. A primeira regra, é que as miúdas é que convidam, e os rapazes são convidados. Isto tudo com meses de antecedência, sendo que eu fui convidado em Setembro.. Do ano passado. Depois do convite é hora de comprar vestido a condizer, encomendar flores, e reservar um restaurante.
Depois de muita preparação, lá chegou o dia. Pus-me todo janota, fato e gravata, gel no cabelo (juro que pus), enfrasquei-me em perfume e estava assim pronto para a tal Dance. A minha date veio-me buscar a casa e fomos para casa da avó dela tirar fotografias, com os outros 3 "casais" que nos iam acompanhar na nossa refeição. Depois de 40 mil fotografias, metemo-nos no carro e guiámos apenas 45 min para chegar ao restaurante mais chique onde já estive. Comemos que nem uns animais obviamente, e voltámos para a nossa terrinha, pois o baile era na escola. Quando entrei na pista de dança, senti que estava num filme, porque não podia ser mais igual. Escusado será dizer que não havia alcool e, parecendo que não, todos aqueles que dançavam de forma exuberante estavam sóbrios que nem um caracol. Lá dancei que nem um maluco, a espalhar a magia portuguesa das danças transmontanas.. Estou a brincar, que seria. Mas dancei muito, não vou esconder isso. No final, estava na hora de distinguir o Rei do Baile, ou SweetHeart King, que sempre soa melhor ao ouvido. A verdade é que fui o vencedor, ainda não percebi muito bem porquê, mas visto que ganhei uma coroa até agradeço. O resto da noite foi dançar á maluca, misturando kizomba português com country dance..
Caro leitor, chegou ao fim de mais uma crónica, muito obrigado pela sua atenção!
Com muito carinho,
Aquele que daqui a 7 meses já aí estará de volta ):)
Aqui está uma montagem de todos os passos da minha noite
Bem, vamos por partes cronológicas que é para ver se não nos perdemos. Depois de ir a Chicago, fui ao Michigan passar um fim-de-semana de 3 dias. O Michigan é o estado a norte do Indiana, e em 3h de viagem estávamos no hotel que tínhamos reservado. Eu não sabia qual era o propósito da viagem, mas mal cheguei ao hotel percebi: fazer shopping. O hotel era no meio de um outlet, numa terrinha onde não havia mais nada a fazer do que uma maratona de compras. Por mim tudo bem, até porque aqui é tudo mais barato.. Como bom europeu que sou, senti-me obrigado a comprar calças levi's strauss. É regra universal e por isso aguei 20$ por um par. Ora bem.. umas calças da Salsa em Portugal custam no mínimo 60€ (equivalente a 80$).. Portanto, com o dinheiro que se gasta em Portugal por um par, aqui podia comprar QUATRO pares! Isto dá que pensar, até ao momento em que percebo que estão a gozar com a nossa cara.
Mas lá consegui superar este trauma e tive um fim-de-semana bastante produtivo em termos de consumo. Mas a melhor parte desta trip estava para chegar: como nos USA 3h de viagem não são nada, perguntei á minha mãe se podíamos ir a uma cidade do outro lado do Michigan, onde tive a oportunidade de jantar ás 4h da tarde com a Inês (Simões de) Almeida. Se tivesse de descrever este reencontro numa palavra, utilizaria definitivamente "estranho". Foi como se a Inês tivesse atravessado uma barreira que separa a minha "vida portuguesa" da minha vida americana, uma barreira que nunca ninguém tinha atravessado. Não dá muito bem para explicar a quem nunca passou por isto, mas espero que tenham uma ideia do que quero dizer. Mas a verdade é que soube optimamente falar em português e partilhar tudo o que tinha vivido com alguém que estivesse a viver o mesmo que eu. Não nos calámos durante horas e, aquando da despedida, espetei-lhe um beijinho na cara, algo que já não fazia há mais de dois meses. #PortugueseProblems
Outro episódio que quero relatar, é o "Veteran's Day". Este dia é um dia celebrado em honra de todos os veteranos de guerra americanos, com o agradecimento de terem lutado pela nossa liberdade visto que "Freedom is not free". Estes veteranos são na maioria veteranos da guerra do Vietname com alguns sobreviventes da 2ª Guerra Mundial. E como é que os jovens agradecem aos velhotes, perguntam vocês, leitores curiosos e interessados. Pois bem, na 6ª feira antes do feriado, a escola inteira, mais de 1100 alunos, reuniram-se no ginásio da escola para ouvir o discurso de um veterano, cantar o hino, de pé obviamente, e cantar mais umas 20 músicas, dedicadas ás diferentes vertentes militares, tais como os Marines, AirForce, etc.. Todo este concerto dado pelo Coro da Escola durou cerca de 15 min, durante os quais permanecemos em pé, de mão no peito, aplaudindo os veteranos ali presentes. Achei interessante por ser um acontecimento que nunca aconteceria em Portugal, por uma simples razão: Portugal não entra em guerras. Foi por isso diferente.
E pronto, agora vamos á cereja no topo do bolo.. A verdade é que nunca comi bolo com cereja, mas é indiferente. No Sábado tive o primeiro baile do ano, chamado SweetHeart Dance. É um aquecimento para o Prom basicamente. Mas aqui leva-se tudo a sério, por isso nada de menosprezar este baile, cheio de regras e tradições. A primeira regra, é que as miúdas é que convidam, e os rapazes são convidados. Isto tudo com meses de antecedência, sendo que eu fui convidado em Setembro.. Do ano passado. Depois do convite é hora de comprar vestido a condizer, encomendar flores, e reservar um restaurante.
Depois de muita preparação, lá chegou o dia. Pus-me todo janota, fato e gravata, gel no cabelo (juro que pus), enfrasquei-me em perfume e estava assim pronto para a tal Dance. A minha date veio-me buscar a casa e fomos para casa da avó dela tirar fotografias, com os outros 3 "casais" que nos iam acompanhar na nossa refeição. Depois de 40 mil fotografias, metemo-nos no carro e guiámos apenas 45 min para chegar ao restaurante mais chique onde já estive. Comemos que nem uns animais obviamente, e voltámos para a nossa terrinha, pois o baile era na escola. Quando entrei na pista de dança, senti que estava num filme, porque não podia ser mais igual. Escusado será dizer que não havia alcool e, parecendo que não, todos aqueles que dançavam de forma exuberante estavam sóbrios que nem um caracol. Lá dancei que nem um maluco, a espalhar a magia portuguesa das danças transmontanas.. Estou a brincar, que seria. Mas dancei muito, não vou esconder isso. No final, estava na hora de distinguir o Rei do Baile, ou SweetHeart King, que sempre soa melhor ao ouvido. A verdade é que fui o vencedor, ainda não percebi muito bem porquê, mas visto que ganhei uma coroa até agradeço. O resto da noite foi dançar á maluca, misturando kizomba português com country dance..
Caro leitor, chegou ao fim de mais uma crónica, muito obrigado pela sua atenção!
Com muito carinho,
Aquele que daqui a 7 meses já aí estará de volta ):)
Aqui está uma montagem de todos os passos da minha noite
Sunday, October 27, 2013
Chicago
Caríssimos,
É verdade, já não escrevo nada no blog há 20 dias, e vós mereceis um pedido de desculpas formal. Mas não vão ter nada disso porque não há tempo. Peço no entanto desculpa pelo meu português que começa a enferrujar.. Bem, como podem imaginar, por mais incrível que isto seja, não há acontecimentos suficientes que sejam dignos de serem relatados todas as semanas. Todavia, o fim-de-semana passado fui a Chicago e é disso que esta crónica se trata.
Sábado, 19 de Outubro de 2013: Pelas 6h da manhã a minha mãe e eu (para quem reparar é de propósito) levantámo-nos e metemo-nos no carro a caminho da estação de comboio, onde estavam os outros 30 AFSers que estão, tal como eu, a viver no Indiana. Sempre fiel ao estilo português fomos os últimos a chegar e por pouco não perdemos o comboio. Na carruagem sentei-me ao lado de um suíço e em frente a uma indonésia e uma sul-africana. Isto só para vos dar um cheirinho da misturadela de culturas e países que para ali andavam. Depois de 3h de viagem, chegámos a Chicago, mais conhecida como a "Windy City" e já vão perceber porquê.
Quando saí da estação vi uma coisa que nunca tinha visto: prédios. Mas não eram prédios quaisquer, eram arranha-céus, daqueles que arranham tanto que até fazem ferida. O primeiro programa do dia consistia em passear num daqueles autocarros de 2 andares pela "downtown" da cidade. Durante 2 horas ziguezagueamos por entre torres, enquanto que um guia nos introduzia a cidade, por entre piadas e anedotas surpreendentemente engraçadas. Ao principio ri-me alto, mas ás tantas deixei de conseguir.. Porquê? porque a minha boca congelou com aquele vento gelado a bater-me nas trombas. Mesmo assim adorei este passeio pois consegui ver todo o centro da cidade, uma cidade moderna diferente de qualquer outra capital europeia que já tinha visitado. O passeio acabou á porta do restaurante onde iríamos almoçar.. Porta do restaurante não.. Porta do elevador do restaurante. O restaurante em si era no 95o andar, com uma vistaça da cidade de Chicago. Mas para chegar lá acima tivemos de subir num elevador supersónico que causa dores nos ouvidos por causa da pressão. Mas não podia ter valido mais a pena.
A seguir a um buffet absolutamente razoável, estava na hora de passear pela cidade. Para as miúdas, era sinónimo de compras, para mim, era sinónimo de.. passear. Durante este passeio, vi uma noiva a tirar fotografias. Pensei em pedir para tirar uma fotografia com ela e depois dizer "Casei-me em Chicago" mas no momento da verdade tive vergonha.. Felizmente, vi mais 19 noivas (acho que casar em Chicago a 19 de Outubro é o que está a dar) mas destas 19 noivas, 19 eram gordas. Por isso mudei de ideias e achei que era melhor não pedir nenhuma fotografia, ou ainda iam achar que estava a gozar com a sua estrutura física. Bom, por isso resignado lá continuei á deriva pelas avenidas de Chicago, observando artistas de rua, festas mexicanas (quinceaneras) e cheerleaders a fazerem sessoes fotograficas. Foi absolutamente incrivel. Depois de uma tarde a vadear pela cidade, jantámos num restaurante e dirigimo-nos para o comboio. Estava na hora de voltar para casa e depois de uma viagem de 3h em que tivemos conversas culturais extremamente interessantes (somos uma cambada de intelectuais) cheguei a casa pelas 3h da manhã. Já não sentia os pés. Ah sim, porque cortei-me no pé a tomar banho antes de ir para Chicago por isso só conseguia calçar paez. Por isso lá fui eu, de paez e meias passear-me pela chuva de Chicago!
É verdade, já não escrevo nada no blog há 20 dias, e vós mereceis um pedido de desculpas formal. Mas não vão ter nada disso porque não há tempo. Peço no entanto desculpa pelo meu português que começa a enferrujar.. Bem, como podem imaginar, por mais incrível que isto seja, não há acontecimentos suficientes que sejam dignos de serem relatados todas as semanas. Todavia, o fim-de-semana passado fui a Chicago e é disso que esta crónica se trata.
Sábado, 19 de Outubro de 2013: Pelas 6h da manhã a minha mãe e eu (para quem reparar é de propósito) levantámo-nos e metemo-nos no carro a caminho da estação de comboio, onde estavam os outros 30 AFSers que estão, tal como eu, a viver no Indiana. Sempre fiel ao estilo português fomos os últimos a chegar e por pouco não perdemos o comboio. Na carruagem sentei-me ao lado de um suíço e em frente a uma indonésia e uma sul-africana. Isto só para vos dar um cheirinho da misturadela de culturas e países que para ali andavam. Depois de 3h de viagem, chegámos a Chicago, mais conhecida como a "Windy City" e já vão perceber porquê.
Quando saí da estação vi uma coisa que nunca tinha visto: prédios. Mas não eram prédios quaisquer, eram arranha-céus, daqueles que arranham tanto que até fazem ferida. O primeiro programa do dia consistia em passear num daqueles autocarros de 2 andares pela "downtown" da cidade. Durante 2 horas ziguezagueamos por entre torres, enquanto que um guia nos introduzia a cidade, por entre piadas e anedotas surpreendentemente engraçadas. Ao principio ri-me alto, mas ás tantas deixei de conseguir.. Porquê? porque a minha boca congelou com aquele vento gelado a bater-me nas trombas. Mesmo assim adorei este passeio pois consegui ver todo o centro da cidade, uma cidade moderna diferente de qualquer outra capital europeia que já tinha visitado. O passeio acabou á porta do restaurante onde iríamos almoçar.. Porta do restaurante não.. Porta do elevador do restaurante. O restaurante em si era no 95o andar, com uma vistaça da cidade de Chicago. Mas para chegar lá acima tivemos de subir num elevador supersónico que causa dores nos ouvidos por causa da pressão. Mas não podia ter valido mais a pena.
A seguir a um buffet absolutamente razoável, estava na hora de passear pela cidade. Para as miúdas, era sinónimo de compras, para mim, era sinónimo de.. passear. Durante este passeio, vi uma noiva a tirar fotografias. Pensei em pedir para tirar uma fotografia com ela e depois dizer "Casei-me em Chicago" mas no momento da verdade tive vergonha.. Felizmente, vi mais 19 noivas (acho que casar em Chicago a 19 de Outubro é o que está a dar) mas destas 19 noivas, 19 eram gordas. Por isso mudei de ideias e achei que era melhor não pedir nenhuma fotografia, ou ainda iam achar que estava a gozar com a sua estrutura física. Bom, por isso resignado lá continuei á deriva pelas avenidas de Chicago, observando artistas de rua, festas mexicanas (quinceaneras) e cheerleaders a fazerem sessoes fotograficas. Foi absolutamente incrivel. Depois de uma tarde a vadear pela cidade, jantámos num restaurante e dirigimo-nos para o comboio. Estava na hora de voltar para casa e depois de uma viagem de 3h em que tivemos conversas culturais extremamente interessantes (somos uma cambada de intelectuais) cheguei a casa pelas 3h da manhã. Já não sentia os pés. Ah sim, porque cortei-me no pé a tomar banho antes de ir para Chicago por isso só conseguia calçar paez. Por isso lá fui eu, de paez e meias passear-me pela chuva de Chicago!
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| A vista do restaurante onde almocei brócolos com peixe. |
Monday, October 7, 2013
20% já passou. Djizzasse
Two Months. 20%. Um quinto.
Esta semana que passou foi a oitava em terras de tio Sam (ainda ninguem me apresentou o Sam, mas toda a gente o trata por tio, deve ser por educacao e eu nao sou excepcao). Foi também a semana de Homecoming, que eu nao fazia ideia do que era mas se tornou incrível. De modo que vou relatá-la, tintim por tintim.
Ora tudo debutou Domingo passado. A seguir á missa (desta vez nao faltei :) ) fui para a escola ajudar a decorar os corredores. Apesar de domingo e escola serem duas palavras que nao combinam muito bem juntas, foi deveras divertido. Cada ano (seniors, juniors, sophomores e freshmen) estava encarregue de decorar um dos corredores da escola. Valia tudo, desde teias de aranha nas paredes a fitas no tecto e escrever nas janelas.. Era do genero "Querido, Mudei a Casa" da SicMulher tâo a ver? Claro que escrevi em Português nas janelas e até hoje ninguém faz ideia do que é que significa. O objectivo era ter a melhor decoracao para ganhar a competicao e ser o campeao (sou poeta). Mas essa nao era a unica competicao. A cada dia da semana estava atribuido um tema. Estes eram "blackout", "mismatch", "camouflage", "tie day", e "red&white day". Cada dia tinhamos de nos vestir consoante estes temas. Foi engracado, cada dia via com cada personagem na escola que até me assustava. Mas a melhor parte chegou 6a feira a tarde. A seguir as aulas, todos os alunos reuniram-se no Varsitty Gym (ginasio) para o Pep Rally (nao ha traducao possivel). Cada Class (ano) sentou-se numa das 4bancadas do ginasio concentradas num objectivo: fazer mais barulho que as outras classes. Trouxeram vuvuzelas (que falta de saudades que tinha delas), buzinas e vozinhas estridentes. Tudo aos berros, tudo a dancar, professores inclusive. Foi uma selva autentica, da qual os seniors (12o ano) saiu vencedor. Senti felicidade brotar do meu coracao. Mas a cereja no topo do bolo ainda estava para vir..
Todas as 6as feiras ha um jogo de futebol americano, em casa ou fora. Eu, como grande fan que sou, nao perco um.. Apesar de nao perceber metade das regras e so perceber que sao uns mariquinhas comparados com rugby. Pronto, mas isso nao interessa. O que queria dizer era que esta semana foi o Homecoming. Isso significa que a escola votou numa "Homecoming Queen" que é anunciada no intervalo do jogo. Existem 5 candidatas eleitas pelos jogadores de futebol americano que tém de desfilar em frente á bancada onde os papás e mamãs babados tiram fotografias. Cada Miss candidata tem de ser acompanhada por um jovem, e é aí que eu entro em cena. Fui convidado para ser "escort" e claro que aceitei, apesar de nem ter trazido uma camisa branca ou gravata na mala. Consegui arranjar toda a vestimenta á última da hora e, a 1min do intervalo, lá estava eu pronto para desfilar qual TopModel. No momento em que estávamos em filinha prontos para fazer o percurso ensaiado ouviu-se um trovão, sinónimo de 30min de pausa porque estes mariquinhas cada vez que ha um trovao mandam toda a gente refugiar-se nos carros ou na escola. Traducao, ja nao havia desfile para ninguem. Um gajo aqui a correr de um lado para o outro para arranjar uma camisa e uma gravata que combinem com o vestido da menina e de repente e tudo cancelado. Felizmente arranjaram uma solucao: Acabamos por fazer o desfile no ginasio. Infelizemente a minha acompanhada nao ganhou, por isso nao sou o Rei da Escola. Tive pena, mas no Inverno ha outro concurso, pode ser que tenha mais sorte. (sim, o reino nao dura mais de 3meses.. Coitados, nunca tiveram monarquia na America nao percebem como e que isto funciona).
So uma curiosidade final: Sabem aquelas asas de galinha cheias de molhos que se vê nas series e filmes americanos? Aquelas que sao impossiveis de comer sem ficar todo besuntado e lamber os dedos umas vinte vezes? Sao um pedacinho de céu. Boas boas boas boas, sabem a raios de sol. Nao da para comer de garfo e faca, mas mesmo se desse ninguem o faria, por isso e indiferente! E muito melhor lambusar os dedos com afinco, espetando-os na guela e lambendo do principio ao fim. E pronto, e com esta imagem minha a lamber-me todo que termino este post.
Esta semana que passou foi a oitava em terras de tio Sam (ainda ninguem me apresentou o Sam, mas toda a gente o trata por tio, deve ser por educacao e eu nao sou excepcao). Foi também a semana de Homecoming, que eu nao fazia ideia do que era mas se tornou incrível. De modo que vou relatá-la, tintim por tintim.
Ora tudo debutou Domingo passado. A seguir á missa (desta vez nao faltei :) ) fui para a escola ajudar a decorar os corredores. Apesar de domingo e escola serem duas palavras que nao combinam muito bem juntas, foi deveras divertido. Cada ano (seniors, juniors, sophomores e freshmen) estava encarregue de decorar um dos corredores da escola. Valia tudo, desde teias de aranha nas paredes a fitas no tecto e escrever nas janelas.. Era do genero "Querido, Mudei a Casa" da SicMulher tâo a ver? Claro que escrevi em Português nas janelas e até hoje ninguém faz ideia do que é que significa. O objectivo era ter a melhor decoracao para ganhar a competicao e ser o campeao (sou poeta). Mas essa nao era a unica competicao. A cada dia da semana estava atribuido um tema. Estes eram "blackout", "mismatch", "camouflage", "tie day", e "red&white day". Cada dia tinhamos de nos vestir consoante estes temas. Foi engracado, cada dia via com cada personagem na escola que até me assustava. Mas a melhor parte chegou 6a feira a tarde. A seguir as aulas, todos os alunos reuniram-se no Varsitty Gym (ginasio) para o Pep Rally (nao ha traducao possivel). Cada Class (ano) sentou-se numa das 4bancadas do ginasio concentradas num objectivo: fazer mais barulho que as outras classes. Trouxeram vuvuzelas (que falta de saudades que tinha delas), buzinas e vozinhas estridentes. Tudo aos berros, tudo a dancar, professores inclusive. Foi uma selva autentica, da qual os seniors (12o ano) saiu vencedor. Senti felicidade brotar do meu coracao. Mas a cereja no topo do bolo ainda estava para vir..
Todas as 6as feiras ha um jogo de futebol americano, em casa ou fora. Eu, como grande fan que sou, nao perco um.. Apesar de nao perceber metade das regras e so perceber que sao uns mariquinhas comparados com rugby. Pronto, mas isso nao interessa. O que queria dizer era que esta semana foi o Homecoming. Isso significa que a escola votou numa "Homecoming Queen" que é anunciada no intervalo do jogo. Existem 5 candidatas eleitas pelos jogadores de futebol americano que tém de desfilar em frente á bancada onde os papás e mamãs babados tiram fotografias. Cada Miss candidata tem de ser acompanhada por um jovem, e é aí que eu entro em cena. Fui convidado para ser "escort" e claro que aceitei, apesar de nem ter trazido uma camisa branca ou gravata na mala. Consegui arranjar toda a vestimenta á última da hora e, a 1min do intervalo, lá estava eu pronto para desfilar qual TopModel. No momento em que estávamos em filinha prontos para fazer o percurso ensaiado ouviu-se um trovão, sinónimo de 30min de pausa porque estes mariquinhas cada vez que ha um trovao mandam toda a gente refugiar-se nos carros ou na escola. Traducao, ja nao havia desfile para ninguem. Um gajo aqui a correr de um lado para o outro para arranjar uma camisa e uma gravata que combinem com o vestido da menina e de repente e tudo cancelado. Felizmente arranjaram uma solucao: Acabamos por fazer o desfile no ginasio. Infelizemente a minha acompanhada nao ganhou, por isso nao sou o Rei da Escola. Tive pena, mas no Inverno ha outro concurso, pode ser que tenha mais sorte. (sim, o reino nao dura mais de 3meses.. Coitados, nunca tiveram monarquia na America nao percebem como e que isto funciona).
So uma curiosidade final: Sabem aquelas asas de galinha cheias de molhos que se vê nas series e filmes americanos? Aquelas que sao impossiveis de comer sem ficar todo besuntado e lamber os dedos umas vinte vezes? Sao um pedacinho de céu. Boas boas boas boas, sabem a raios de sol. Nao da para comer de garfo e faca, mas mesmo se desse ninguem o faria, por isso e indiferente! E muito melhor lambusar os dedos com afinco, espetando-os na guela e lambendo do principio ao fim. E pronto, e com esta imagem minha a lamber-me todo que termino este post.
Wednesday, September 25, 2013
Wednesday, September 18, 2013
NFL Game!
Bonjour c'est Vasco et aujourd'hui je vais vous parler de mon week-end. (Aquele toque de francês só para dar um ar poliglota sem qualquer razao evidente).
Para comecar, vou contar uma pequena curiosidade. Sabem aqueles concursos de spelling que se ve nos filmes? Em que o putos estao no palco e pedem-lhes para soletrarem palavras em ingles? Pois bem, esses concursos existem mesmo. E o meu professor de Historia foi campeao distrital no 5o ano.. Pessoalmente, esse era o tipo de segredo que eu esconderia ao maximo, mas ele nao.. Nao nao, foi daquelas coisas que contou e recontou todo orgulhoso a minha turma.. Mas pronto, gostos nao se discutem.
Agora vamos ao que interessa. Como tenho a melhor conselheira do mundo tive este fim de semana a oportunidade de realizar um sonho americano: ir a um jogo da NFL (Liga de Futebol Americano) ao Domingo e faltar á missa (melhor parte xP).
Tudo começou ás 8h da manhã quando a minha conselheira e respectiva família passaram por minha casa para me buscar e iniciamos então uma longa viagem de 2 horas até Indianapolis, capital do Indiana.
Quando chegámos, entrámos no primeiro restaurante que nos apareceu á frente: DICK's Last Resort.
De facto o nome não sugere o melhor, mas o interior superou qualquer expectactiva.
Inocentes como crianças, sentámo-nos e lemos os menus. As descrições dos pratos eram do género "Bacalhau: Não queres que eu te explique isto pois não?" ou "Almondegas á Afredo: É carne com vegetais.. Pronto perdi tempo da minha vida a dizer isto" Primeiro menu com a mania que engraçadinho que vi na vida. Mas a melhor parte chegou com a empregada de mesa.. ou empregado.. ainda tenho duvidas. Bem, mas isso não interessa, lá porque tinha barba e unhas de gel não quer dizer nada. Apresentou-se dizendo "Welcome to Dick's, service sucks, so do you, give me a thumbs up if you think it's funny".
A partir daí foi sempre a abrir: atirou-nos as palhinhas á cara, fez-nos chapéus de papel do género dos do KKK e escreveu "Eu mijo sentado" ou "tou com as cuecas borradas". Censura era um conceito que nao entrava naquele estabelecimento. Homem ou mulher, aquele ser era hilariante e merecia um palco.
Saídos do restaurante, eu e o Zach (um amigo da minha equipa que e sobrinho da minha conselheira) encaminhamo-nos para o Estádio. Á entrada, mostrei o bilhete, passaram-me um detector de metais de relance e deixaram-me passar. Podia ter dinamites nos bolsos que ninguém desconfiava.. Fiquei logo arrependido de não ter arriscado levar uns cupcakes para quando me desse a larica. Á entrada, fiquei fascinado. Parecia um centro comercial, com escadas rolantes, cheio de lojas e cafés com sofás e banquinhos almofadados (no fundo também são sofás.. mas mais pecanuchos). Tudo a beber alcool, mas ninguém bebedo. Coitados, nao sabem que se beberem ate vomitar a vida torna-se mais facil.. Pff.
La fui para o meu sector, subi as escadinhas e finalmente visionei o campo. Estava nos melhores lugares do mundo. Perto suficiente para ouvir as jogadas do QB, alto o suficiente para perceber as jogadas. De sonho, não e por acaso que o preço original daquele banquinho era 300$.
O jogo la começou depois de estenderem uma bandeira do tamanho do campo e de um rockeiro qualquer tocar o hino na guitarra electrica. E eu claro, sempre de mao no peito. e olhos na bandei... quer dizer, nas cheerleaders. Enquanto olhava para aquelas barbies so me lembrava das balofinhas da SAPO que dançam nos intervalos dos jogos do Sporting. Taduxinhas.
Durante o jogo lá fui vibrando com as jogadas, com os touchdowns e com as decisões dos árbitros.. Apesar de nao perceber nenhuma regra. Apesar de estarmos a perder, nao ouvi nenhum palavrão, não vi nenhuma porrada, nem claques a mandar uns manguitos para os adversários.. Demasiado civilizado para meu gosto mas tudo bem. Foram 3horas incríveis neste acolhedor estádio de 80 000 pessoas.
Quando saímos do estádio, cabisbaixos pela derrota, fomos de carro até ao campus da universidade de Indy onde vive uma familiar deles. Percorrendo o campus de carro avistei as inúmeras fraternidades que, obviamente e como mandam as regras, se chamavam "Kappa Epsilon Delta" e "Tau Theta Alpha". Letras gregas que nao dizem nada de nada, so no intuito de ter estilo. La voltamos para Plymouth sob uma chuva torrencial, so para dar um cheirinho de como vai ser o Inverno.
Sabem aquele cliché classico de conversas no chat do facebook de "então novidades?"
Por mais que se pergunte isto, a probabilidade da resposta ser "nop, nada.. e tu?" e de 95% e de matar aí a conversa é de 100%. Paralelamente aqui, sempre que se manda um "hey dude, what's up?", a resposta é "not much dude, not much.." . Se é para responder isso, mais vale ficarem caladinhos.
Entretanto faço anos daqui a dois dias. Primeiro aniversario além fronteiras. Estou reticente quanto a este dia, vamos ver o que o futuro me reserva. Quero só reiterar que lá por estar nas Américas não e desculpa para se esquecerem de me felicitar. Email: vasco.mrg@gmail.com .. Eu sei que não pediram, mas estou sempre um passo á frente. Por isso já sabem, sábado dia 21, sem falta!
Later bros!
Para comecar, vou contar uma pequena curiosidade. Sabem aqueles concursos de spelling que se ve nos filmes? Em que o putos estao no palco e pedem-lhes para soletrarem palavras em ingles? Pois bem, esses concursos existem mesmo. E o meu professor de Historia foi campeao distrital no 5o ano.. Pessoalmente, esse era o tipo de segredo que eu esconderia ao maximo, mas ele nao.. Nao nao, foi daquelas coisas que contou e recontou todo orgulhoso a minha turma.. Mas pronto, gostos nao se discutem.
Agora vamos ao que interessa. Como tenho a melhor conselheira do mundo tive este fim de semana a oportunidade de realizar um sonho americano: ir a um jogo da NFL (Liga de Futebol Americano) ao Domingo e faltar á missa (melhor parte xP).
Tudo começou ás 8h da manhã quando a minha conselheira e respectiva família passaram por minha casa para me buscar e iniciamos então uma longa viagem de 2 horas até Indianapolis, capital do Indiana.
Quando chegámos, entrámos no primeiro restaurante que nos apareceu á frente: DICK's Last Resort.
De facto o nome não sugere o melhor, mas o interior superou qualquer expectactiva.
Inocentes como crianças, sentámo-nos e lemos os menus. As descrições dos pratos eram do género "Bacalhau: Não queres que eu te explique isto pois não?" ou "Almondegas á Afredo: É carne com vegetais.. Pronto perdi tempo da minha vida a dizer isto" Primeiro menu com a mania que engraçadinho que vi na vida. Mas a melhor parte chegou com a empregada de mesa.. ou empregado.. ainda tenho duvidas. Bem, mas isso não interessa, lá porque tinha barba e unhas de gel não quer dizer nada. Apresentou-se dizendo "Welcome to Dick's, service sucks, so do you, give me a thumbs up if you think it's funny".
A partir daí foi sempre a abrir: atirou-nos as palhinhas á cara, fez-nos chapéus de papel do género dos do KKK e escreveu "Eu mijo sentado" ou "tou com as cuecas borradas". Censura era um conceito que nao entrava naquele estabelecimento. Homem ou mulher, aquele ser era hilariante e merecia um palco.
Saídos do restaurante, eu e o Zach (um amigo da minha equipa que e sobrinho da minha conselheira) encaminhamo-nos para o Estádio. Á entrada, mostrei o bilhete, passaram-me um detector de metais de relance e deixaram-me passar. Podia ter dinamites nos bolsos que ninguém desconfiava.. Fiquei logo arrependido de não ter arriscado levar uns cupcakes para quando me desse a larica. Á entrada, fiquei fascinado. Parecia um centro comercial, com escadas rolantes, cheio de lojas e cafés com sofás e banquinhos almofadados (no fundo também são sofás.. mas mais pecanuchos). Tudo a beber alcool, mas ninguém bebedo. Coitados, nao sabem que se beberem ate vomitar a vida torna-se mais facil.. Pff.
La fui para o meu sector, subi as escadinhas e finalmente visionei o campo. Estava nos melhores lugares do mundo. Perto suficiente para ouvir as jogadas do QB, alto o suficiente para perceber as jogadas. De sonho, não e por acaso que o preço original daquele banquinho era 300$.
O jogo la começou depois de estenderem uma bandeira do tamanho do campo e de um rockeiro qualquer tocar o hino na guitarra electrica. E eu claro, sempre de mao no peito. e olhos na bandei... quer dizer, nas cheerleaders. Enquanto olhava para aquelas barbies so me lembrava das balofinhas da SAPO que dançam nos intervalos dos jogos do Sporting. Taduxinhas.
Durante o jogo lá fui vibrando com as jogadas, com os touchdowns e com as decisões dos árbitros.. Apesar de nao perceber nenhuma regra. Apesar de estarmos a perder, nao ouvi nenhum palavrão, não vi nenhuma porrada, nem claques a mandar uns manguitos para os adversários.. Demasiado civilizado para meu gosto mas tudo bem. Foram 3horas incríveis neste acolhedor estádio de 80 000 pessoas.
Quando saímos do estádio, cabisbaixos pela derrota, fomos de carro até ao campus da universidade de Indy onde vive uma familiar deles. Percorrendo o campus de carro avistei as inúmeras fraternidades que, obviamente e como mandam as regras, se chamavam "Kappa Epsilon Delta" e "Tau Theta Alpha". Letras gregas que nao dizem nada de nada, so no intuito de ter estilo. La voltamos para Plymouth sob uma chuva torrencial, so para dar um cheirinho de como vai ser o Inverno.
Sabem aquele cliché classico de conversas no chat do facebook de "então novidades?"
Por mais que se pergunte isto, a probabilidade da resposta ser "nop, nada.. e tu?" e de 95% e de matar aí a conversa é de 100%. Paralelamente aqui, sempre que se manda um "hey dude, what's up?", a resposta é "not much dude, not much.." . Se é para responder isso, mais vale ficarem caladinhos.
Entretanto faço anos daqui a dois dias. Primeiro aniversario além fronteiras. Estou reticente quanto a este dia, vamos ver o que o futuro me reserva. Quero só reiterar que lá por estar nas Américas não e desculpa para se esquecerem de me felicitar. Email: vasco.mrg@gmail.com .. Eu sei que não pediram, mas estou sempre um passo á frente. Por isso já sabem, sábado dia 21, sem falta!
Later bros!
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