Monday, November 18, 2013

Before Prom Comes SweetHeart

Caríssimos, perdoem a demora por mais uma crónica, mas tenho a desculpa de estar nos Estados Unidos e aqui não há internet..

Bem, vamos por partes cronológicas que é para ver se não nos perdemos. Depois de ir a Chicago, fui ao Michigan passar um fim-de-semana de 3 dias. O Michigan é o estado a norte do Indiana, e em 3h de viagem estávamos no hotel que tínhamos reservado. Eu não sabia qual era o propósito da viagem, mas mal cheguei ao hotel percebi: fazer shopping. O hotel era no meio de um outlet, numa terrinha onde não havia mais nada a fazer do que uma maratona de compras. Por mim tudo bem, até porque aqui é tudo mais barato.. Como bom europeu que sou, senti-me obrigado a comprar calças levi's strauss. É regra universal e por isso aguei 20$ por um par. Ora bem.. umas calças da Salsa em Portugal custam no mínimo 60€ (equivalente a 80$).. Portanto, com o dinheiro que se gasta em Portugal por um par, aqui podia comprar QUATRO pares! Isto dá que pensar, até ao momento em que percebo que estão a gozar com a nossa cara.

Mas lá consegui superar este trauma e tive um fim-de-semana bastante produtivo em termos de consumo. Mas a melhor parte desta trip estava para chegar: como nos USA 3h de viagem não são nada, perguntei á minha mãe se podíamos ir a uma cidade do outro lado do Michigan, onde tive a oportunidade de jantar ás 4h da tarde com a Inês (Simões de) Almeida. Se tivesse de descrever este reencontro numa palavra, utilizaria definitivamente "estranho". Foi como se a Inês tivesse atravessado uma barreira que separa a minha "vida portuguesa" da minha vida americana, uma barreira que nunca ninguém tinha atravessado. Não dá muito bem para explicar a quem nunca passou por isto, mas espero que tenham uma ideia do que quero dizer. Mas a verdade é que soube optimamente falar em português e partilhar tudo o que tinha vivido com alguém que estivesse a viver o mesmo que eu. Não nos calámos durante horas e, aquando da despedida, espetei-lhe um beijinho na cara, algo que já não fazia há mais de dois meses. #PortugueseProblems

Outro episódio que quero relatar, é o "Veteran's Day". Este dia é um dia celebrado em honra de todos os veteranos de guerra americanos, com o agradecimento de terem lutado pela nossa liberdade visto que "Freedom is not free". Estes veteranos são na maioria veteranos da guerra do Vietname com alguns sobreviventes da 2ª Guerra Mundial. E como é que os jovens agradecem aos velhotes, perguntam vocês, leitores curiosos e interessados. Pois bem, na 6ª feira antes do feriado, a escola inteira, mais de 1100 alunos, reuniram-se no ginásio da escola para ouvir o discurso de um veterano, cantar o hino, de pé obviamente, e cantar mais umas 20 músicas, dedicadas ás diferentes vertentes militares, tais como os Marines, AirForce, etc.. Todo este concerto dado pelo Coro da Escola durou cerca de 15 min, durante os quais permanecemos em pé, de mão no peito, aplaudindo os veteranos ali presentes. Achei interessante por ser um acontecimento que nunca aconteceria em Portugal, por uma simples razão: Portugal não entra em guerras. Foi por isso diferente.

E pronto, agora vamos á cereja no topo do bolo.. A verdade é que nunca comi bolo com cereja, mas é indiferente. No Sábado tive o primeiro baile do ano, chamado SweetHeart Dance. É um aquecimento para o Prom basicamente. Mas aqui leva-se tudo a sério, por isso nada de menosprezar este baile, cheio de regras e tradições. A primeira regra, é que as miúdas é que convidam, e os rapazes são convidados. Isto tudo com  meses de antecedência, sendo que eu fui convidado em Setembro.. Do ano passado. Depois do convite é hora de comprar vestido a condizer, encomendar flores, e reservar um restaurante.
Depois de muita preparação, lá chegou o dia. Pus-me todo janota, fato e gravata, gel no cabelo (juro que pus), enfrasquei-me em perfume e estava assim pronto para a tal Dance. A minha date veio-me buscar a casa e fomos para casa da avó dela tirar fotografias, com os outros 3 "casais" que nos iam acompanhar na nossa refeição. Depois de 40 mil fotografias, metemo-nos no carro e guiámos apenas 45 min para chegar ao restaurante mais chique onde já estive. Comemos que nem uns animais obviamente, e voltámos para a nossa terrinha, pois o baile era na escola. Quando entrei na pista de dança, senti que estava num filme, porque não podia ser mais igual. Escusado será dizer que não havia alcool e, parecendo que não, todos aqueles que dançavam de forma exuberante estavam sóbrios que nem um caracol. Lá dancei que nem um maluco, a espalhar a magia portuguesa das danças transmontanas.. Estou a brincar, que seria. Mas dancei muito, não vou esconder isso. No final, estava na hora de distinguir o Rei do Baile, ou SweetHeart King, que sempre soa melhor ao ouvido. A verdade é que fui o vencedor, ainda não percebi muito bem porquê, mas visto que ganhei uma coroa até agradeço. O resto da noite foi dançar á maluca, misturando kizomba português com country dance..

Caro leitor, chegou ao fim de mais uma crónica, muito obrigado pela sua atenção!
Com muito carinho,
Aquele que daqui a 7 meses já aí estará de volta ):)

Aqui está uma montagem de todos os passos da minha noite




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