Viajemos no tempo então. No mês passado celebrei o meu primeiro ThanksGiving. Estava bastante entusiasmado para esta estreia, capítulo essencial do sonho americano. Os americanos muito me falaram desta festa, de como os peregrinos partilharam uma refeição com os nativos, e até me perguntaram se os portugueses celebram o Dia de Acção de Graças... Eu sei, que pergunta tão óbvia, obviamente que sim! Também me avisaram múltiplas vezes que iria comer até cair para o lado, mas cada vez que me diziam isso eu só pensava "Oh meu amigo, isso já faço eu a todas as refeições desde que cheguei aos US!"
No tão esperado Dia Nacional do Peru fui com a minha família almoçar a casa dos avós adoptivos do lado materno. Comi, comi, vi fimes de natal, e comi mais um bocado.. Passado 2 horas de ter acabado de almoçar, ainda com a digestão a meio, já estava na hora de seguir caminho para o segundo banquete do dia, com a família biológica da minha mãe. (Para quem não sabe, a minha mãe é 100% mexicana, e por isso toda a sua família também.) Fomos os primeiros a chegar ao banquete, o que em Portugal é óptimo porque significa que não temos de falar aos que chegam, mas são os que chegam que têm de nos falar. Mas aqui como não conhecia ninguém, não foi tão positivo. Á medida que o tempo ia passando, manadas de hispânicos iam entrando pela sala adentro, sem fazerem puto ideia de quem é que eu era. Mas foram porreiros e meteram conversa, numa mistura de inglês e espanhol, também conhecido como "spanglish." Como tinha de ser, comi mais e mais, e mais. Surpreendentemente, consegui sair de lá pelo meu próprio pé. Foi o fim do meu primeiro e não último Thanks Giving.
No que toca o campo escolar, está tudo óptimo. Estou a ter disciplinas bastante interessantes como Psicologia, Historia Mundial, Historia dos USA e Culinária (fui eleito aluno "chef" do mês nesta aula, mas nem omeletes sei fazer). Acabou a época do futebol americano e começaram os jogos de basquetebol. Cada semana que jogamos em casa temos um tema, que torna cada jogo num carnaval autentico. No ultimo, o tema era nerd, e eu levei o tema tão a sério, que parecia um débil mental perdido nas bancadas. É divertidíssimo.
E hoje é véspera de Natal, o culminar do advento mas, muito mais importante por aqui, o fim de um mês de rádio a dar Jingle Bells a cad 10 minutos. O espírito natalício aqui é vivido de outra maneira. Decorei a casa com luzes no "outside", usei camisolas de Natal com renas e árvores de natal, ouvi e vi milhares de músicas e filmes de Natal, e até fui a uma feira que era a representação de Belém aquando do nascimento de Jesus. Fui uma preparação diferente de qualquer outra, muito mais consumista e menos espiritual. Adorava misturar o estilo católico português com o espírito festivo americano.
Mas quando digo que não tive advento, também não é verdade. Sabem aqueles sacrifícios que algumas pessoas decidem fazer nestas 4 semanas? Como não comer chocolates ou abstinência de redes sociais? Ou então, para os mais radicais, não comer durante o dia, género Ramadão? Pois bem.. Tenho a dizer que o meu foi muito melhor que todos esses. Por compaixão a todos aqueles que não têm mãos, decidi congelar as minhas mãos cada vez que ia á rua. Não as sentir durante horas sem fim, só por compaixão pelos mais debilitados. Pronto, é mentira.. Não fiz de propósito, é só porque estão graus negativos todos os dias e já tive de colar os dedos ás mãos com cola UHU umas cinco vezes. Sou mesmo solidário para com a UHU.
Tá um frio do catano. Já não tenho temperaturas positivas há semanas, e até já apanhei -20˙C, só para terem noção do Polo Norte onde vim parar. Desci montes de trenó, atirei bolas de neve.. Espetei-me de boca na neve. Sem dúvida a melhor parte, melhor ainda quando sentes a neve a descer-te pelo rabiosque abaixo não é?
E com esta imagem de mim mergulhando na neve, emergindo com neve na minha roupa interior me despeço desejando um Feliz Natal a quem ler isto antes ou durante o dia de Natal e pedindo também que revejam as vossas prioridades, pois ler blogs no dia de Natal não é bom sinal. Para o resto, um óptimo ano de 2014, um ano em que finalmente nos encontraremos de novo!
Té looogo!
(Pela primeira vez desde que criei este blog que tive dificuldade em escrever em português, porque penso em inglês e as palavras começam a ser escassas. Perdoem portanto a falta de qualidade e piada)
Jorge Felizberto, paciente #3784 do Júlio de Matos