Bom ano queridos leitores!
Pensei escrever aquelas típicas piadas do género "Sinto que já não vos escrevo desde o ano passado", mas todos sabemos que essas piadas têm tudo menos graça por isso saltarei directamente para o que interessa, o Natal.
Esta foi a primeira (e espero última) vez que celebrei o Christmas sem a companhia dos meus familiares. Mais um desafio que tive de enfrentar neste ano, mas nada catastrófico. Todavia, o Natal americano é muito mais do que um ou dois dias em que um tipo chamado Jesus nasce, é como um casamento cigano que dura cerca de 60 dias e noites inclusive. Começa a tomar forma em meados de Novembro com as preparações do Thanks Giving e debuta oficialmente dia 1 de Dezembro. A partir desse dia, é obrigatório por lei do Indiana usar pelo menos uma peça de roupa (interior ou não) que seja da temática natalícia, ouvir uma média de 33 músicas sobre o Rodolfo por dia e ver 27 filmes sobre a existência do gordo da Coca-Cola (Há quem o chame de Pai Natal). Acreditem ou não um vizinho meu com o qual convivi por algumas vezes foi preso por usar uma camisola com um pinheiro manso desenhado. Ora todos sabemos que Natal é época de Pinheiro Bravo o que prova que ele estava mesmo a querer ir para uma cela. Sei no que é que estão a pensar.. "Que estupidez, quem é que convive com os vizinhos?" Pois é, eu também nunca tinha pensado que alguém o fizesse até chegar aos US.
Algumas pessoas optam ainda por transformar o exterior das casas em pirilampos gigantes e compram um mínimo de 40 presentes para cada membro da família, gato incluído. O espírito natalício é muito forte e presente nas acções das pessoas, cristãs ou não. Foi um Natal diferente, mais consumista, mais virado para o Pai Natal do que para Jesus, mas sempre com o espírito de solidariedade presente.
Dois dias a seguir ao Natal, ainda com metade dos presentes por abrir ("prendas" para o pessoal do norte) fui ao casamento da directora do AFS da minha zona. Estava bastante entusiasmado para tal acontecimento visto que seria o meu primeiro american wedding. Foi um casamento civil por isso não teve missa nem nada disso, mas esperava-se um copo d'água á maneira! A verdade é que a expressão "copo d'água" não se podia adequar melhor a esta festa pois não havia alcool. Apenas água e uma versão ranhosa de champomix. Por outras palavras, este casamento tinha tudo menos aquilo que atrai 90% dos convidados: bar aberto e bebedeira gratuita. Mas pronto, lá bebi o champomix de uva e comi os cupcakes todos. A seguir estava na hora de abrir a pista de dança, a minha parte preferida em que ia poder espalhar uns bons passos de kuduro e dançar com as senhoras de idade avançada presentes. Cheguei á pista de dança, já a fazer alongamentos com a pica toda, quando ouço a voz de uma senhora no microfone a dizer que nos ia ensinar uma coreografia. "Tudo bem," pensei eu "se sei fazer a dança do quadrado também devo saber fazer isto." Mas afinal era tudo menos a dança do quadrado, eram 20 coreografias diferentes que misturavam dança country com sevilhanas e um bocado do aplauso do Poney para quem faz campos de férias. Tudo isto com pares aleatórios ao som de uma banda "live". Esta brincadeira durou o casamento todo. Não houve dança livre, nem um noivo bebado com a gravata na cabeça. Ás 10h da noite acabou o casamento. Foi mais curto que as festas de anos da Decathlon. Ah, esqueci-me de mencionar um pequeno pormenor: os noivos tinham os dois 60 anos. Mas o amor não escolhe idades, não é?
Mais uns dias passaram e foi altura da passagem de ano. Para qualquer bom português, a passagem de ano é uma enorme celebração, onde todos, dos 8 aos 80 ficam acordados até á meia noite e saltam com o pé direito para o chão enquanto comem 12 passas (odeio passas, deviamos acabar com essa parte da tradição). Para não falar do número de comas alcoólicos por parte de jovens com idades inferiores a 16 anos. No entanto aqui a história é diferente. Para além de não haver alcool para menores de 21 anos, apenas os mais fortes ficam acordados até á meia noite. Escusado será dizer que eu fiquei acordado até ás 3h da manhã, batendo assim o meu recorde que se encontrava nas 11h23 da noite. Para celebrar a New Year's Eve fui para casa de uns amigos que estavam a dar uma festa. Não tinha muitas mais opções, por isso aceitei logo o convite e nem fiz perguntas. No entanto era uma festa de família/amigos, o que significa que não há discriminação e desde o avô ao amigo mais delinquente todos são convidados e todos convivem em conjunto. Como programa da noite jogámos poker, ganhei 30 dollars, vimos um jogo de basketball e vimos a a Ball Drop em Times Square á meia noite. A noite já não era criança nenhuma e por isso passado 20 minutos do início de 2014 já estava em casa. Recusando-me a ir para a cama á 1h da manhã antes dos portugueses que ainda celebravam em Portugal apesar da diferença horária de 5h fiz skype com o Kiko Ribeiro Ferreira e jogámos cluedo via video-chamada. Algo inédito. It was a hell of a New Year's Eve.
(Juro que estou quase a acabar)
Ontem, 2a feira, era dia de regresso ás aulas. Mas não foi. Nem hoje foi. Nem amanhã será. Porquê? porque a temperatura exterior é negativa em fahrenheit. Ontem por exemplo estavam 25 graus celsius negativos. Até custa respirar no outside, mas somos por lei (desta vez juro que é mesmo por lei) obrigados a permanecer no interior das nossas casas. Conclusão: Não saio de casa há 4 dias. A última vez que saí de casa foi para ir andar de trenó. Armei-me em campeão e decidi fingir que sabia fazer snowboard e descer a colina em pé. Claro que me espetei, fui de pescoço ao chão e fiquei o resto da noite tonto sem conseguir engolir comida. Moral da história: Se tivesse trazido Papa Cerelac para cá não tinha morrido á fome nessa noite. Mas é mentira que não saio de casa há quatro dias, de vez em quando tenho de ir limpar a neve da driveway. É o meu pequeno sacrifício diário.. Sacrifício que é para não dizer suicídio. Pensei muito em como vos dizer o quanto frio está, e a melhor maneira que encontrei foi a seguinte: Está tanto frio que as minhas pequenas sobrancelhas congelaram, e os meus macacos do nariz mais profundos morrem de hipotermia, literalmente. Agora que já falei de macacos do nariz numa crónica, está na hora de acabar com isto.
Um óptimo ano para todos! Até já!
PS: Para todos aqueles que acham que estou a exagerar quanto ás temperaturas, leiam isto:
http://www.dn.pt/inicio/globo/interior.aspx?content_id=3618468&seccao=EUA%20e%20Am%E9ricas
No comments:
Post a Comment